Robiquetia cerina

Foto & cultivo: André Merez

Uma floração bastante aguardada 



Essa epífita é originária de Pápua, Nova Guiné e Filipinas, onde vegeta em altitudes acima de 350 metros em árvores de médio porte, florestas de clima úmido e temperaturas amenas. Seu aspecto vegetativo é muito interessante, com folhas que se assemelham ao couro com coloração amarronzada em sua face inferior e verde acinzentada na superior. De crescimento lento devido seu metabolismo bastante desacelerado, as Robiquetia demoram pra alcançar a maturidade suficiente para florescer.

O exemplar acima foi adquirido pela minha esposa, Edi Merez, na exposição do Jardim Botânico de São Paulo há cerca de 4 anos quando ainda era uma pequena muda. Ao longo desse tempo sob nosso cultivo desenvolveu-se bem e sua floração, sempre tão aguardada, iniciou-se no final de maio com o surgimento de um pequeno calo na face oposta de uma das axilas foliares. Acompanhar o desenvolvimento dessa inflorescência é sem dúvida uma experiência muito interessante, mas, infelizmente, devido à falta de tempo disponível para essa finalidade, não foi possível fotografar as etapas desse curioso espetáculo.


A respeito do cultivo que temos utilizado nessa planta, podemos acrescentar que está sendo feito em cachepot de madeira, com substrato de casca pinus e uma camada de esfagno puro em sua borda para ajudar na conservação de uma certa umidade. O ambiente em que este cachepot fica é bastante úmido e arejado, condições essenciais para seu bom desenvolvimento. Quanto às adubações, são feitas semanalmente com adubo orngano-mineral rico em aminoácidos.





Cattleya X Dolosa 'Kenny'

Foto & cultivo: André Merez

Espécie ou híbrido?


Essa planta é resultado do cruzamento entre a Cattleya walkeriana alba ‘Pendentive’ e a Cattleya walkeriana albescens ‘Limrick’ e foi feito no ano de 1986 pelo Orquidário Limrick de Miami, Flórida. Aqueles que já tenham algum conhecimento sobre cruzamentos devem estar se perguntando “Por qual motivo essa planta é considerada uma ‘Dolosa’ se resulta do cruzamento entre duas espécies de Cattleya walkeriana?”. Bom, discussões e polêmicas à parte, a questão é que um dos parentais envolvidos nesse cruzamento não é uma espécie pura, pois foi cruzado com outra espécie, a Cattleya loddigesii. Logo, sabe-se que o cruzamento entre uma C. loddigesii e uma C. walkeriana, resulta em um híbrido denominado Cattleya X Dolosa.

A questão que aqui se poderia cogitar seria: Depois de cruzar uma C. walkeriana com uma C. loddigesii e criar uma C. Dolosa, se eu cruzar novamente esse híbrido com uma C. walkeriana essa planta voltaria a ser considerada uma C. walkeriana espécie? Uma vez que os caracteres morfológicos da C. loddigesii entraram no cruzamento, existiria realmente a possibilidade desses retro cruzamentos resultarem em uma espécie pura? Na minha opinião, não. Porém, existem diferentes linhas de pensamento no que se refere a esse assunto, logo, trata-se de uma polêmica que envolve questões comerciais das quais eu realmente não quero fazer parte.

Se desconsiderarmos o fator “comercial” que está embutido nessas denominações, qual seria realmente a importância de considerar essa planta como uma espécie ou um híbrido? A resposta a essa questão está diretamente relacionada a um único fator, sua forma. A espécie C. walkeriana, naturalmente, seu aspecto morfológico como pode ser encontrado na natureza, em quase nada se assemelha mais com o que hoje os entusiastas dessa espécie valorizam, flores bem planas, arredondadas, pétalas largas com boa textura e consistência.

Pelo que pude compreender disso tudo, para se obter esse “ideal de forma” tão ambicionado e tão valorizado, existem dois caminhos: o mais fácil e o mais difícil. O mais fácil e também o menos ‘honesto’ é cruzar uma C. walkeriana com uma C. loddigesii, formar uma Dolosa e vendê-la como se fosse uma C. walkeriana espécie. O mais difícil e também o mais valorizado e honesto, que demanda muito mais investimento e tempo de dedicação, é selecionar os melhores exemplares de espécies puras de verdadeiras C. walkeriana e fazer cruzamentos utilizando as melhores matrizes que ao longo de muito tempo resultem em plantas de boa forma e que podem alcançar valores impressionantes.

Mesmo tendo me arriscado um pouco ao me estender nesse assunto nebuloso e polêmico, acredito que tenha conseguido esclarecer alguns aspectos sobre esse tema sem promover mais polêmica. Em minha trajetória na orquidofilia esse assunto realmente não tem grande relevância, e, sinceramente prefiro não entrar nesse “jogo”, que, na minha opinião, é de apostas muito altas. A questão principal é que as considerações acima serviram mais para tentar esclarecer porque considero a planta acima como uma Cattleya Dolosa e não como uma Cattleya walkeriana do que para gerar uma discussão em torno dessas difinições, Isso eu prefiro deixar para aqueles que entendem melhor desse assunto. 






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