Campylocentrum ornithorrhynchum

Foto/divulgação: Clube do orquidófilo  I  André Merez

A polêmica das identificações


A identificação das espécies de certos gêneros é sempre uma verdadeira ‘celeuma’, sobretudo quando se trata daqueles ainda pouco estudados. Em grupos especializados existentes nas redes sociais, há uma infinidade de opiniões contraditórias que ao invés de esclarecer, acabam por confundir ainda mais a questão. Os melhores recursos para resolver problemas de identificação continuam sendo as publicações embasadas em estudos sérios sobre o assunto com o aval de taxonomistas reconhecidos no meio científico.

O gênero Campylocentrum em especial, possui espécies com diferenciais morfológicos muito sutis, e alguns deles não estão localizados na flor, mas sim na parte vegetativa da planta.  É o que ocorre entre as espécies Cmplcn. selowii e Cmplcn. ornithorrhynchum. Segundo informações retiradas da obra Orchidaceae Brasilienses vol. 2 de Pabst, Guido & Dungs, Fritz, a similaridade entre essas duas espécies é tão grande que as únicas formas de diferenciá-las são a observação da  quantidade de raízes emitidas ao longo dos nódulos de seus caules cilíndricos: No Cmplcn. selowii há uma ocorrência maior de raízes ao longo desse caule e no Cmplcn. ornithorrynchum as raízes são em menor quantidade e na morfologia da flor o diferencial localiza-se em seu nectário ou calcar que, no Cmplcn. selowii é levemente curvo e no Cmplcn. ornithorrhynchum é reto.

Apesar dessas considerações, Pabst observa ainda que os diferenciais detectados são passíveis de alterações dependendo de fatores externos como insolação e condições de cultivo e, na possibilidade de tratar-se de uma única espécie, a classificação como Cmplcn. ornithorrhynchum prevalece por ter sido feita por Lindley em 1840, enquanto que a classificação do Cmplcn. selowii feita por Reinchenback ocorreu somente em 1850, de uma planta coletada por Sellow em local não especificado.

Observando atentamente o exemplar acima, que pertence a minha coleção, e depois de alguma celeuma sobre sua identificação, bato o martelo em declará-lo aos leitores do Clube do Orquidófilo como Cmplcn. ornithorrhynchum, mesmo sabendo que haverá ainda algumas controvérsias entre os entusiastas do assunto. Na dúvida, prefiro me render aos estudos criteriosos do botânico e taxonomista responsável pela descrição de mais de 180 espécies de orquídeas, Guido Frederico João Pabst.



Pholidota chinensis

Divulgação/foto - Clube do Orquidófilo I André Merez


Uma orquídea de fartas florações

Essa planta é originária de Myanmar, sudeste da China e vegeta nas árvores de florestas chuvosas em altitudes em torno de 2500m. Trata-se de uma espécie pertencente a um gênero relativamente pequeno, que possui apenas 30 espécies detectadas. Sua morfologia é composta por pseudobulbos ovoides, ligeiramente espaçados e suas folhas podem alcançar até 20cm de comprimento em exemplares adultos. Sua floração surge do ápice das brotações e formam inflorescências pêndulas que podem alcançar até 25cm que possuem mais de 20 flores de aproximadamente 2cm cada.

Prefere substrato bem drenado e regas constantes durante o período de crescimento e a umidade relativa ideal deve sempre ficar acima de 60%, o que pode ser garantido molhando o chão do orquidário em dias mais quentes. Garantir uma boa ventilação ao seu redor também é muito importante, pois suas raízes necessitam de certa ventilação para não encharcarem e consequentemente não podrecerem.


Quanto à adubação, assim como as Coelogyne, essas plantas não são muito exigentes; uma adubação equilibrada com nitrogênio, fósforo, potássio e os micronutrientes em uma formulação de manutenção do tipo 20 20 20 ou 18 18 18 aplicadas a cada quinze dias, são suficientes para garantir boas e fartas florações. O período de floração dessa espécie inicia-se em setembro com o surgimento dos brotos, a formação das inflorescências em seu ápice e finalmente a abertura total das flores em meados de outubro.

Divulgação/foto - Clube do Orquidófilo I André Merez
   


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