Cultivando raízes

Foto/divulgação Clube do Orquidófilo I André Merez 


Se as raízes estão bem, todo o resto está bem                                                              


As raízes são estruturas fascinantes de grande importância para as orquídeas e sua formação básica é composta de duas partes. A primeira é o velame, um tecido que envolve a raiz e tem a função de uma espécie de ‘esponja’ responsável pelo aumento de absorção de água e nutrientes, por intermédio de uma relação chamada de simbiose com um fungo benéfico denominado micorriza que contribui diretamente com a nutrição da planta. A outra parte é a coifa, também chamada de meristema apical; é aquela pontinha geralmente verde que se encontra no ápice da raiz e é responsável pelo seu crescimento.

Na natureza as raízes em sua maioria ficam expostas, agarradas às árvores, às pedras ou mesmo aéreas. Quem já teve a oportunidade ver plantas no habitat pôde verificar como elas se desenvolvem ao longo dos troncos por grandes extensões. Isso ocorre para aumentar sua área de absorção de nutrientes e umidade atmosférica. Contudo, no cultivo feito em nossos orquidários, as submetemos ao confinamento em vasos, sem a ventilação e a luz adequadas para seu desenvolvimento e, algumas vezes, por inabilidade ou por falta de condições controladas de regas, expomos as raízes das nossas plantas ao excesso de umidade.

Cultivar orquídeas é basicamente saber cuidar de suas raízes. Preocupar-se com as boas condições delas é de extrema importância para todo o desenvolvimento da planta, tanto no que se refere à parte vegetativa quanto à quantidade e qualidade das florações. Na maioria das vezes que observamos anormalidades nas plantas, se verificarmos, acabamos descobrindo que as raízes foram seriamente comprometidas. Se elas apodrecem por excesso de umidade, não têm como absorver nutrientes e toda a planta vai definhando.

Garantir-lhes boa ventilação por intermédio do uso de substratos bem drenados e de vasos corretos, assim como controlar as regas com critério para evitar seu encharcamento, são condições essenciais para sua preservação. Cuidados na hora do replante ou do reenvase também são necessários, evitando deixar a planta solta no vaso, já que nesse caso sua coifa ficará em atrito constante com o substrato, quebrando-o e interrompendo seu desenvolvimento. Conheça sua planta, pesquise sua origem e verifique as condições do habitat de onde vieram e cuide de suas raízes, pois elas são o ‘segredo’ do bom cultivo.




Hadrolaelia fidelensis

Foto/ divulgação: Clube do Orquidófilo - André Merez 

Um tesouro quase perdido

Encontrada pelo orquidófilo Dr. Julio Sodré às margens do rio Paraíba no município de São Fidélis, no Estado do Rio de Janeiro, essa espécie de pequeno porte, foi inicialmente enviada a F. C. Hoehne que declarou tratar-se de uma espécie nova, mas não publicou nada oficialmente a respeito dessa planta.

O segredo do local exato onde um único exemplar dessa planta foi coletado morreu junto com seu descobridor. Somente depois que um corte desse exemplar foi entregue a Rolf Altemburg do orquidário Florália e ao orquidário Binot, tornou-se possível sua propagação e popularização; não fosse esse acontecimento, provavelmente não teríamos conhecimento dessa espécie, já que o local de sua ocorrência tornou-se um mistério até hoje e nenhum outro exemplar foi encontrado nas matas da região de São Fideles.   

Essa espécie aprecia boa iluminação para vegetar, podendo até mesmo receber o sol pleno da manhã ou do final da tarde, mas sempre protegidas das horas de maior incidência e em temperaturas amenas. O período de floração ocorre normalmente entre os meses de outubro e janeiro. Curiosamente suas flores surgem das novas brotações sem espata, momento em que é necessário ter extremo cuidado para não se deixar acumular água na folha nova, caso contrário poderá ocorrer o apodrecimento dos botões.

O que inicialmente me despertou o interesse nessa planta foi o tamanho de suas flores, que são relativamente grandes se comparadas com sua parte vegetativa. Sua flor totalmente aberta pode alcançar de 10 a 12 centímetros e sua parte vegetativa não deve passar de 20 centímetros no máximo. Sua grácil particularidade morfológica de possuir a sépala dorsal quase sempre ereta e um pouco mais alongada que suas pétalas e sépalas laterais que são levemente inclinadas, garante-lhe um efeito visual único, que se diferencia em muito das formas tradicionais das outras espécies desse gênero.




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