Bulbophyllum orthoglossum

Foto & cultivo: André Merez

Um sósia do Bulbophyllum carunculatum



Comprei essa planta ‘às cegas’ há uns bons anos, pelo menos uns cinco anos em uma exposição do Jardim Botânico de São Paulo. Na placa de identificação estava escrito Bulbophyllum carunculatum, mas no momento da compra não havia como saber a cor ou a forma dessa espécie e na época eu não a conhecia. Devo tê-la cultivado pelo menos uns dois anos sem obter floração, mas sua parte vegetativa desenvolveu-se bem, emitindo novos brotos e enraizando muito bem no vaso de barro com substrato de casca de pinus com carvão que utilizei para reenvasá-lo.

Achei interessante que, diferente das outras plantas dessa espécie que eu já conhecia, essa não possuía aquele espaçamento de rizoma entre os pseudobulbos que é tão característico dos Bulbophyllum. Só depois vim saber que esse gênero possui plantas desses dois tipos de comportamentos vegetativos.

Quando finalmente essa planta floriu, acabei descobrindo que se tratava na realidade da espécie ‘orthoglossum’ e não carunculatum, como estava escrito na placa de identificação que veio com a planta. O motivo da confusão na identificação é compreensível, já que as flores dessas duas espécies são realmente muito parecidas, sobretudo quando vistas por meio de fotos. Porém, quando vistas pessoalmente, percebe-se de imediato o que as diferencia. Acontece que o Bulbophyllum carunculatum é uma planta bem mais robusta com sua parte vegetativa e suas flores bem maiores do que as do Bulbophyllum orthoglossum.

Não bastasse essa ‘celeuma’, encontrei ainda no site ‘Orchidspecies’ a definição do Bulbophyllum orthoglossum descrito como uma subespécie do amplibracteatum juntamente com carunculatum. Considerando o conjunto das informações obtidas, e considerando principalmente as diferenças do porte dessas duas espécies, concluí que a planta da foto acima é realmente o Bulbophyllum orthoglossum.


Semelhanças e diferenças à parte, trata-se de uma planta de cultivo relativamente fácil e de crescimento bastante vigoroso. Pode receber o mesmo sistema de regas, iluminação e adubações de uma Cattleya, por exemplo, que se desenvolverá bem e não faltarão suas florações sequenciais, todo ano.




Cattleya loddigesii

C. loddigesii 'Dona Hermínia' Foto & cultivo: André Merez

A verdadeira Cattleya paulista


Sem nenhum exagero, pode-se afirmar tranquilamente que a espécie de Cattleya que mais caracteriza a Região Sudeste, particularmente o Estado de São Paulo, é sem dúvida nenhuma a Cattleya loddigesii. Apesar de serem detectadas ocorrências também nos Estados de Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro, é especificamente em São Paulo que se encontra o seu principal centro de dispersão. Inclusive tendo sido avistada inicialmente por John Lindley neste Estado em 1810 e enviada à Europa, onde floresceu pela primeira vez em 1811 e foi registrada em 1823 com esse nome em homenagem a um comerciante de plantas chamado Loddigess.

Essa é uma espécie que vegeta normalmente em árvores próximas de regiões de alagamento ou à beira de rios e seus pseudobulbos relativamente finos têm pouca capacidade para o armazenamento de água e nutrientes, daí a necessidade de cultivá-la em condições de umidade ambiente elevada para que não ocorra sua desidratação. A iluminação deve ser de média para alta desde que seja garantida uma boa ventilação ao redor da planta, fator determinante também para evitar o encharcamento e o consequente apodrecimento de suas raízes.
 
No orquidário, desde que esteja plantada em substrato com boa drenagem, pode receber regas mais constantes em sua fase de crescimento e mais reduzidas no inverno, porém, vale uma ressalva importante, em locais de invernos secos como em várias cidades do Estado de São Paulo, por exemplo, tome cuidado para não deixar o substrato seco por um período muito prolongado, o que poderia resultar na rápida desidratação de suas folhas e pseudobulbos. Em nosso cultivo observou-se também que a planta se beneficia e muito com a utilização de umidificadores do tipo que propiciam ao mesmo tempo ventilação e vapor d’água.

Suas flores são muito utilizadas em cruzamentos e hibridações devido suas características marcantes de apresentarem boa forma como planicidade, armação, textura e durabilidade. Medindo cerca de 10 cm de diâmetro, podem ser encontradas em variedades flameadas, aquinii, alba e sua variedade mais valorizada, a punctata, tendo como uma de suas mais famosas a denominada ‘Marisa’ com um dos padrões de pintas mais impressionantes.



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