Cultivo no estilo japonês de Neofinetia (Vanda) falcata

Fonte da imagem: Seed Engei Japonese Orchids

Fukiran: a orquídea rica e nobre 


Fazer novas experiências e buscar formas alternativas de cultivo é sempre uma boa maneira de aprender e se aprimorar. A curiosidade e, consequentemente, a pesquisa e a experimentação são competências bem-vindas em qualquer área de nossas vidas e no cultivo das orquídeas não poderia ser diferente. Foi isso o que exatamente ocorreu com meu interesse pelo cultivo das Neofinetia.

Em pesquisas pela internet, certo dia ‘esbarrei’ com o nome ‘Fukiran’ e a partir daí abriu-se uma série de informações muito ricas que me conduziram a tentar experimentar, acredito que de maneira pioneira no Brasil, uma forma de cultivo desse gênero que é bastante difundida no Japão e nos Estados Unidos, mas que aqui no Brasil ainda não se teve notícia.

Foto: Jim Michaels

O cultivo no estilo japonês é feito com as raízes das plantas literalmente ‘enroladas’ por longas tiras de musgo esfagno que formam bolas e são acomodadas em pequenos vasos que podem ser de barro ou de plástico com cortes laterais para drenagem e ventilação. Como se pode observar nas fotos desta matéria, os vasos servem basicamente para apoiar o esfagno em que as raízes da planta ficam enroladas. Para serem apresentadas nas exposições, as plantas são retiradas dos vasos de cultivo junto com a bola de esfagno e acomodadas em requintados vasos finamente decorados, já que a apresentação impecável dessas plantas é muito valorizada entre os entusiastas da espécie. É interessante observar que esses vasos são considerados objetos de arte e, na maioria das vezes, alcançam valores muito mais altos do que os preços das próprias plantas que eles contêm.


Fonte da imagem: Fukiran American Society

Trata-se de uma tradição que agrupa fieis seguidores, tanto no Japão quanto nos Estados Unidos, chegando mesmo a existirem associações específicas sobre o assunto. A saber, a Fukiran Society of America e a Japan Fukiran Society possuem centenas de associados, realizam grandes exposições anuais e mantêm sites com conteúdo de alta qualidade e atualizações frequentes. Também é possível encontrar grupos e fan pages sobre o tema nas redes sociais, muito dinâmicas e com participação muito enriquecedora de membros ativos e interessados; contudo, a participação de brasileiros, mesmo de descendentes de japoneses, nesses meios ainda é quase nula.

Foto: Seed Engei

Considerações importantes sobre o cultivo


O cultivador das Neofinetia deve estar atento principalmente aos fatores relacionados à umidade ambiente, o controle das regas e a ventilação. Tanto o excesso quanto a falta de umidade nas raízes podem ser fatais para essa espécie. Raízes encharcadas durante muito tempo apodrecem e secas demais causam a rápida desidratação das folhas. O ideal é que haja uma breve secagem do substrato entre as regas. É importante observar também que as regas podem ser mais fartas nos meses quentes, na primavera e no verão quando as plantas encontram-se em desenvolvimento ativo, e reduzidas nos meses mais frios do outono e inverno.   A umidade ambiente, no entanto, pode e deve ser elevada, de preferência acima dos 50% durante todo o ano. Essas plantas se beneficiam muito da umidade ambiente e da ventilação que, juntas podem garantir plantas saudáveis e vigorosas. 

Quanto à luminosidade necessária, deve estar em torno de 50% de sombreamento. Sobre a aplicação de nutrientes acrescenta-se ainda, segundo informações da Fukiran Society of America, que o fornecimento de cálcio e magnésio mostrou-se extremamente benéfico para essas plantas.
   

Algumas observações sobre o cultivo das Neofinetia no estilo japonês:

  •  Ao enrolar as raízes com o musgo esfagno a pressão exercida pelas mãos deve ser média para que este não fique nem muito solto, nem muito compactado;
  •   É importante que o musgo utilizado seja de boa qualidade para que o trabalho seja feito com mais eficácia e tenha mais estabilidade e durabilidade;
  •  As plantas cultivadas dessa forma não devem ser submetidas ao mesmo regime de regas das demais plantas da coleção;
  •  As regas são mais eficazes se feitas com sistema de irrigação em forma de névoa, ou, no caso de coleções menores, as regas podem ser feitas com borrifadores.
  • Caso estejam bem plantadas e as regas sejam feitas da maneira correta, é perceptível o bom desenvolvimento das plantas com a emissão de novos brotos e raízes.
  • Essas plantas possuem metabolismo lento e não são muito exigentes no que se refere ao fornecimento de fertilizantes, logo, uma adubação homeopática, com adubo bem diluído e rico em Cálcio e Magnésio, apresenta bons resultados
            

    Experimentando e aprendendo


Sempre cultivei esse gênero utilizando como suporte mais eficaz o cachepot de madeira e como substrato uma mistura em partes iguais de musgo esfagno e casca de pinus com carvão. Nesse modelo de cultivo sempre obtive sucesso, com bom desenvolvimento da parte vegetativa e florações satisfatórias. Só recentemente resolvi iniciar uns testes com o cultivo no estilo japonês, portanto ainda me encontro em fase de adaptação com esse estilo. Ainda preciso me adaptar com o manejo diferenciado no que se refere às regas, à umidade ambiente, a adubação e a periodicidade dos reenvases. Separei algumas mudas especificamente para essa finalidade e optei por utilizar como suporte o vaso de barro por sua característica de secagem mais rápida.

Primeiros teste de cultivo no estilo japonês feitos por André Merez
   
Estarei acompanhando o desenvolvimento dessas plantas, fazendo registros e procurando aprimorar cada vez mais os procedimentos, que até o momento são totalmente novos para mim. A princípio já foi possível perceber que é possível sim ter sucesso com esse tipo de cultivo, desde que o controle da quantidade de água no musgo esfagno não seja negligenciado. Depois de mais algum tempo e com o desenvolver do experimento, pretendo fazer atualizações nesta postagem para que o processo possa ser descrito em sua trajetória. Por hora posso dizer que estou bastante empolgado com a ideia de cultivar essas plantas dessa maneira e de cogitar a possibilidade de ser um dos pioneiros a experimentar e difundir esse tipo de cultivo em terras brasileiras. Desejem-me 'boa sorte'. 

   






Lc Aloha Case 'Ching Hua'

Foto & cultivo: André Merez

Um cruzamento de boa forma


Esse híbrido que resulta do cruzamento entre Lc Mini Purple x C. walkeriana tem como uma de suas principais características a facilidade no cultivo. Planta bastante vigorosa, desenvolve-se com rapidez quando suas necessidades são devidamente atendidas. Pouco exigente e bastante tolerante às incoerências de cultivo, pode e deve ser uma planta recomendada aos orquidófilos pouco experientes. Pode ser cultivada nos tradicionais 50% de sombreamento junto com as demais Cattleya da coleção, sem maiores recomendações.

Outra qualidade bastante apreciada nessa planta é sua boa forma. Geralmente de boa armação e textura, suas pétalas e sépalas formam um conjunto harmonioso e bem equilibrado. Atendendo aos critérios de julgamento exigidos pelas comissões julgadoras das principais exposições do Brasil.


Há ainda dois aspectos dessa planta que não podem deixar de ser comentados. Primeiro sua cor que sempre é muito boa, principalmente em seu labelo que, na forma tipo, é de um rubro bastante marcante e intenso, e segundo seu perfume que é bastante perceptível e semelhante ao detectado em seus parentais.




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